Esse é um poema do meu bisavô Quincas,
escrito lá no início do século 20.
MIRAGEM (Para Margarida)
Às vezes eu me julgo um beduíno
A caminhar por um Saara imenso...
O solo fervesob um sol a pino,
Ondula o ar sob o calor intenso.
A caminhar por um Saara imenso...
O solo fervesob um sol a pino,
Ondula o ar sob o calor intenso.
E esse deserto ingente é meu destino.
Na fimbria do horizonte às vezes penso
Ver surgir um oásis, dom divino,
Longínquo aceno de amoroso lenço.
Na fimbria do horizonte às vezes penso
Ver surgir um oásis, dom divino,
Longínquo aceno de amoroso lenço.
Mas é a visão do bem que não se alcança,
Fugindo sempre ante a nossa ansiedade,
Fudindo sempre ao nosso olhar que avança...
Fugindo sempre ante a nossa ansiedade,
Fudindo sempre ao nosso olhar que avança...
Quimera, sonho azul, irrealidade,
Miragem mentirosa da esperança
Neste deserto infindo da saudade.
Miragem mentirosa da esperança
Neste deserto infindo da saudade.

FODA!
=*